Inovação Agora é Para Valer!

Por João Batista Ferreira

Um modo simples de verificar como a categoria inovação está presente no mercado de consumo de bens e serviço no país é observando o que acontece nos shopping centers. De fato, dado às características de segmentação de público destes centros e o desenho mais focado no relacionamento que representam e, mais que tudo, a atividade de animação que estes centros promovem, continuadamente, para entretenimento dos consumidores, este é um bom termômetro.

Na atualidade temos 622 shopping centers, com trafego mensal de 160 milhões de pessoas, 52 obras em andamento e 22 projetos aprovados (censo Alshop 2006), o que nos fornece uma dimensão espetacular para nossa tese.

Os produtos qualificados de shopping centers representaram algo como R$221 bilhões no ano de 2006, mas apenas 27% destes produtos foram vendidos nos shoppings, o que mostra um espaço de mercado significativo de crescimento. Como a classe AB é a dominante nestes centros, podemos inferir que as inovações estão presentes representativamente, pois a diferenciação associada aos produtos vendidos é condição para o sucesso.

Além disso, temos o segmento de luxo que “puxa” as demais ofertas para atributos para além da qualidade percebida, como verdadeiros ícones de consumo.

O Brasil vive um novo “boom” no segmento de shopping centers com a entrada de investidores estrangeiros, com mais capital e experiência financeira. Destes podemos destacar a GGP- General Growth Properties associada ao Nacional Iguatemi criando o grupo Aliansce, o Ivanhoe Cambdrige com o grupo Ancar, Cadillac Fairview Corporation com o grupo Multiplan e o Sonae Sierra grupo português associado ao Developers Diversified - mais de 500 shoppings no mercado americano.

O BR Malls com participação do grupo GP Investments já possui 22 shopping, o maior proprietário no Brasil, sendo 21 deles adquiridos no ano de 2007.

Nos Estados Unidos os shopping centers controlam 70% do varejo e no Brasil estamos ainda engatinhando com participação três vezes menor.

Ainda assim as operações de shopping no Brasil ocupam o 6º. lugar no ranking mundial e o Brasil está quase chegando ao “investment grade”, economias com grau de investimento, quando os fundos de pensão americanos são autorizados a investir.

Estamos, portanto, assistindo a uma verdadeira corrida pela consolidação de mercado, já que os empreendimentos americanos estão amadurecidos com seus 48.000 shopping centers e seus empreendedores conhecem muito bem este mercado e sabem como é importante encantar seus clientes que, em última instância, são os clientes dos segmentos que se encontram dentro dos shoppings.

Diferenciação é a palavra de ordem, pois a mais básica das leis de marketing veio à tona com força total: diferenciação.

O shopping Cidade Jardim, do brasileiro Grupo JHSF, saiu na frente e definiu o novo conceito de uso misto com um dos mais importantes empreendimentos do mundo, localizado em São Paulo, na Marginal Pinheiros.

A Chillibeans, cadeia brasileiríssima de lojas (cerca de 200 pontos), foi apontada por Shaun Smith, autor de “Uncommon Practice” – Práticas Incomuns - como uma das empresas mais inovadoras do planeta. Porque? Porque Caíto Maia, CEO, sabe perfeitamente realizar o predomínio do pensamento do design sobre o pensamento científico. Porque é baseado no instinto de seus dirigentes, porque a formação do CEO e do Diretor de Marketing é musical, e porque souberam criar valor no estilo e na referência de sua atmosfera nas lojas e quiosques para os jovens com a precificação adequada. É um exemplo de diferenciação, um novo enfoque baseado em inovação.

Portanto você que ainda não está antenado para este movimento, está mais do que na hora de rever seus conceitos de produtos e serviços, pois vem por aí uma onda que vai impactar fortemente os modelos de gestão tradicionais.

E, para conforto dos tecnólogos, temos, disponível no mercado brasileiro, boas ferramentas de gestão de cadeia de valor e de relacionamento, além de bons centros especializados em contatos.

Mas nada disso vai adiantar muito se não houver uma consciência clara da importância do design para a diferenciação, e um envolvimento de todos os profissionais da empresa numa obsessão de oferecer produtos e serviços que realmente façam sentido na experiência dos clientes.

João Batista Ferreira é o CEO da J2 Marketing
O artigo foi publicado na Revista Cliente S/A em julho de 2007

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