Inovação. A palavra de ordem da nova economia agrega o ingrediente tradição, mas tem muito de ousadia e visão.
Entrevista Carlos Ferreirinha
Abril 2007
O mercado do luxo, com suas marcas globais, é muito jovem, com pouco mais de 20 anos. No máximo, 25. Mas é benchmarking certo para todos os outros segmentos de bens e serviços. Se para os japoneses o desafio atende pela palavra “dantotsu”, que significa aprimorar-se para ser o melhor dos melhores, para os executivos, ou o novo gestor de negócios, é imprescindível apreender o caminho traçado pelas empresas deste imponente mercado. Afinal, estamos falando dos “melhores entre os melhores”.
Os empresários brasileiros podem desenvolver uma estratégia nova em relação ao passado recente, não se deixando abater pelas circunstâncias empobrecidas em que nos encontramos, perdendo apenas para o Haiti. Dá para reagir, num processo de evolução contínua do espírito empreendedor, atualizando-se, evoluindo e inovando. Nossos filhos merecem.
Neste cenário, destaca-se um “menino prodígio”, chamado Carlos Ferreirinha. Ou, apenas, Ferreirinha, conhecido por sua atuação peripatética, meio socrática e andarilha. Foi assim construindo as bases de um processo revolucionário de gestão de negócios, apoiado na inovação e metodologia de como criar a surpresa encantadora, com produtos e serviços que interagem integralmente com as emoções dos clientes.
Foi o mais jovem presidente, no Brasil, da LVMH Moët Henessy Louis Vuitton S.A.. Estamos falando de uma holding francesa e maior conglomerado de artigos de luxo do mundo, com portfolio de 50 marcas de prestígio e 14 bilhões de euros de faturamento em 2005. Dos 59 mil empregados, 68% estão fora da França, e com uma rede de 1.700 lojas de varejo. O valor da marca, de acordo com a Interbrand, está em U$17 bilhões. Para lembrar, a marca Louis Vuitton tem mais de 150 anos. Em seu portafólio, o brand mais antigo é o produtor de vinhos Château d´Yquem, fundada em 1593.
Não apenas por essa passagem, Carlos Ferreirinha construiu uma cultura de business focada em luxo, baseada em inovação todo o tempo. Devemos porem ter uma atenção extrema com esta palavra, que significa a compreensão de um novo modelo de negócios que se afirma no século 21. O que as empresas globais do chamado luxo ensinam é que as boutiques e os artesanatos famosos, até então regionais, ganharam presença planetária, mostrando que a gestão da experiência do cliente é o campo de batalha dos negócios.
Neste segundo painel da Grube Editorial, vamos tentar desmistificar que a gestão da Inovação tem método, tem substância e pode ser aprendida. Mas que tem um preço a pagar, pois extrapola e transgride a antiga miopia, procurando conhecer as raízes mais profundas das emoções, o que significa que este gestor vai buscar – sempre – que seus clientes tenham uma qualidade de produtos e serviços que criem uma experiência inesquecível de uso.
Viver neste ambiente excitante da Inovação é tarefa de grande envergadura, de aceitar desafios eletrizantes, mas cujo prazer do sucesso é indescritível. É o que nos ensina com sua experiência de vida o nosso orgulho nacional, o jovem administrador de Carlos Ferreirinha, que surpreende. Esta entrevista que nos brinda a Revista Cliente S/A é realmente surpreendente. Ela abre o ano de 2007 mostrando como a simplicidade, a curiosidade permanente, a irreverência juvenil, o inconformismo e indignação, talvez sejam os temperos mais importantes para estimular este novo gestor dos negócios, que deve criar nas empresas o mais barato recurso à disposição do homem: as idéias. O leitor vai se surpreender, bem ao modo como o mercado do luxo, e todos os outros negócios intimamente ligado à história do mundo corporativo.
João Batista Ferreira é o CEO da J2 Marketing